quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Setores do PT criticam política econômica de Dilma

Medidas de Levy desagradam  
Eles criticaram a indicação de Levy para a Fazenda, alegando que seu perfil liberal contraria princípios do partido
Em boletim de análise econômica publicado ontem pela Fundação Perseu Abramo (FPA), do PT, faz críticas às medidas anunciadas pela equipe econômica no início do segundo governo Dilma para estimular o crescimento da economia. Ao analisar o pacote de aumento de impostos anunciado pelo Ministério da Fazenda, o informativo sustenta que o governo corre o risco de aprofundar as “tendências recessivas” da economia ao adotar uma estratégia “bastante conservadora e ortodoxa na política econômica”.

“O problema é que, diante da continuidade de um mundo em crise e da desaceleração abrupta do mercado interno (último motor de crescimento da economia nacional que ainda funcionava), a possibilidade desses ajustes aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível”, afirma o Boletim Diário de Conjuntura 236 (leia a íntegra abaixo).
O documento questiona as quatro medidas anunciadas na segunda-feira (19) pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito para pessoa física, a elevação da PIS/Cofins sobre a gasolina, diesel e produtos importados, o retorno da Cide (contribuição sobre os combustíveis) e a equalização do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) sobre cosméticos. Com esse pacote, o governo espera elevar a sua arrecadação em R$ 20 bilhões. O texto também faz referência a outras ações adotadas pelo governo para aumentar sua receita e estimular o crescimento da economia, como a mudança nas regras dos benefícios sociais como o seguro-desemprego, o corte de gastos correntes e o retorno do IPI sobre automóveis.
De acordo com o boletim, o conjunto das ações encampadas pelo governo neste início do segundo mandato da presidenta Dilma indica “uma clara inflexão na estratégia da política econômica”, com o abandono da estratégia de concessão de desonerações tributárias, que marcou a primeira gestão da petista.
Segundo a análise publicada pela fundação petista, a incapacidade da estratégia anterior de gerar um ciclo sustentado de investimento no país, seja em decorrência da crise internacional, seja por limitações estruturais da economia brasileira, decorrentes de décadas de valorização cambial que enfraqueceram as cadeias industriais, levou o governo a abandoná-la.
“A promessa é de que uma vez que os empresários acreditem na solidez desta nova estratégia adotada pelo governo, sua confiança irá se elevar e os investimentos privados voltarão a fluir, recompondo as perdas de curto prazo do ajuste recessivo e aumentando o emprego e a renda no longo prazo”, afirma o texto, antes de questionar a eficácia dessas medidas. De acordo com o boletim, as medidas anunciadas pelo governo tendem a agravar os problemas do país caso a crise internacional e a desaceleração do mercado nacional persistam. “Caso este cenário pessimista se confirme, mesmo os aumentos das alíquotas dos impostos serão insuficientes para ajustar as contas públicas, tendo em vista que a arrecadação tributária será muito inferior à esperada”, observa.
Fonte/imagem: Congresso em Foco

Comentário
Não somente a setores do PT as medidas introduzidas por Levy desagradaram, mas também a uma grande parcela dos que votaram na reeleição de Dilma Roussef.
Se por um lado havia a necessidade de se atualizar preços defasados, a estratégia do novo ministro bate de frente com o que a maioria dos brasileiros não deseja: o crescimento às custas de se penalizar os trabalhadores, principalmente aqueles que vinham conseguindo se firmar em suas atividades.
Como eleitora de Dilma, discordo da adoção dessa estratégia ortodoxa de Joaquim Levy, uma vez que ao invés de abrir oportunidades de crescimento, as medidas apontam para um "aperto de cinto", que não condiz com o apregoado por ela, durante sua campanha.     

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