O esquema de fraudes, grilagem de terras e pistolagem investigado pela Polícia Federal aconteceria por meio de uma “engrenagem” dividida em quatro núcleos. No “topo” aparecem os produtores rurais que, de forma ilegal, compravam ou grilavam áreas, que, segundo as investigações, se tornaram fazendas.
Para tanto, contavam com a ajuda de integrantes do Sindicato Rural de Itanhangá; servidores do Incra, entre outros colaboradores, como agentes políticos – ver quadro. Ao total, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 1 bilhão ao erário.O modus operandi da organização criminosa se dava por meio do aliciamento e/ou pressão contra os assentados, que vendiam as áreas por um preço menor do que o de mercado. Neste sentido, precisavam assinar um termo de desistência da área, que era encaminhado ao Incra. “Caso discorde, é ameaçado de morte e expulso do lote à força. Neste caso, o termo de desistência era fraudado e assinatura do posseiro é falsificada”, diz trecho do despacho da Justiça Federal.
Na última nesta quinta (27) foi determinado o cumprimento de 52 mandados de prisão preventiva, sendo 20 comunicadas, 146 mandados de busca e apreensão e 29 de medidas proibitivas em Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde. Até sexta (28), 33 pessoas haviam sido presas.
Ainda conforme relato da PF, em posse dos documentos fraudados, o fazendeiro e/ou empresário levava a documentação ao Sindicato Rural onde era “acertado” um preço para regularizar a situação. Neste caso, haviam duas saídas: colocar a área no nome de familiares ou de laranjas. Cabia ao servidor do Incra simular uma vistoria no lote. Depois era emitida uma certidão de ocupação, declaração de posse e homologação.
Para se ter uma ideia do tamanho do esquema, a PF apurou que apenas 10% dos lotes do assentamento estariam sob pessoas com o perfil necessário para ser enquadrado na reforma agrária. O grupo já atuaria entre 10 a 15 anos, de modo a ter hoje “desfigurado completamente o Assentamento Itanhangá/Tapurah”.
No decorrer das investigações, foram ouvidas mais de 60 pessoas, entre suspeitos, vítimas e servidores. Justamente, por isso, foi solicitada a prisão temporária e/ou preventiva de vários investigados, tendo em vista que estariam prevenidos e, provavelmente, se articulando para a destruição de documentos e/ou transferência de provas para outros locais.
Fonte/infográfico: RDNews
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A organização primava em excelência, como uma verdadeira empresa do crime organizado.
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