quarta-feira, 21 de maio de 2014

BOCA NO TROMBONE


Durante grande parte da história da humanidade, governante e lei foram sinônimos — a lei era simplesmente a vontade do governante. Um primeiro passo para se afastar dessa tirania foi o conceito de governar segundo a lei, incluindo a idéia de que até o governante está abaixo da lei e deve governar através dos meios legais.
As democracias foram mais longe criando o Estado de Direito. Embora nenhuma sociedade ou sistema de governo esteja livre de problemas, o Estado de Direito protege os direitos fundamentais, políticos, sociais e econômicos e nos lembra que a tirania e a ilegalidade não são as únicas alternativas. Tomando Por base esse conceito democrático, o que vimos acontecer ontem em Mato Grosso, com a Polícia Federal prendendo políticos corruptos começa a nos dar esperanças de que, realmente, o Brasil volte a exercitar o Estado de Direito. O povo brasileiro perdeu a paciência, a tolerância para com os abusos praticados descaradamente por governantes, que pensam estar imunes às leis, protegidos pelo esdrúxulo “Foro Privilegiado”. 
Que essas ações, que eu espero que se processem cada vez mais, sirvam de exemplo e de aviso aos adeptos das falcatruas, que acham que um cargo político lhes faz donos de um Poder constituído, como se fossem senhores feudais. E que a venda que recobre os olhos da efígie da Justiça, seja relembrada para que serve...



Na coluna de hoje, presto homenagens a um grande homem que fez parte da história política de Rondonópolis, por seu caráter, idoneidade moral e comprometimento social, que provavelmente causaram seu desaparecimento prematuro de nosso convívio. Me refiro ao engenheiro civil, Marcos Antonio dos Reis, que foi Secretário de Planejamento, vice-prefeito de Rondonópolis e depois assessor técnico da extinta Agecopa, que faleceu em junho de 2010, aos 59 anos. Pelo muito que o conhecia, Marcos Reis foi uma das vítimas dessa famigerada corrupção que grassa, particularmente, em Mato Grosso, que -mesmo que indiretamente- causou o infarto fulminante que o vitimou, por ele, certamente, ter discordado àquela época de participar ou ser conivente com a roubalheira que se avizinhava com as obras da Copa 2014. Ontem, eu tive a certeza de que, particularmente nesse caso, se fez Justiça...mesmo que tardiamente...


A Polícia Federal já tem em mãos, o perfil do chefe da organização criminosa (que teria feito parte da administração de Zé Carlos do Pátio e de Ananias Filho) que vem agindo em Rondonópolis, no tocante às invasões de conjuntos residenciais inacabados. O que me espanta, são as pessoas que compram o “direito” das casas, vendido por esses criminosos. Isso não é ingenuidade: é burrice, misturada com ganância, porque é mais do que sabido que isso é ilegal. No meu entender, deveria também ser enquadrado na lei, quem assim age, para deixar de querer ser “espertinho”; de achar que as coisas caem do céu...



A ação da quinta e última etapa da Operação Ararath, desencadeada ontem em Cuiabá e em municípios do interior mato-grossense, fizeram vir à tona a ligação que o senador licenciado Blairo Maggi (PR), tem com a operação e o Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu os mandados de prisão contra o deputado estadual José Riva (PSD) e o ex-secretário de Estado Eder Moraes uma vez que Blairo Maggi também vem sendo  investigado no inquérito por lavagem de dinheiro, que tramita no STF.
Por gozar da prerrogativa de foro privilegiado, senadores e deputados federais podem ser alvos somente de investigações autorizadas pelo STF e é mais do que certo de que outros políticos de peso em Mato Grosso, também estejam sendo investigados.



Com o desejo já revelado Eder Moraes vir a participar da delação premiada – em que o acusado de um crime em grupo, delata seus comparsas ou dá informações importantes sobre a quadrilha, como endereços ou telefones. Em retribuição, o pode ganhar uma diminuição da pena – muitos políticos e empresários, envolvidos em atos diversos de corrupção, devem estar perdendo o sono. 
Ao longo dos anos, esse tipo de ação se tornou rotina em Mato Grosso e com certeza, passou a ser assimilado pelos corruptos como algo natural, já que – praticamente – faziam isso às claras, sem o menor indício de ter vergonha na cara ou de que temessem alguma ação da Justiça. 
Como cidadã e jornalista, espero que isso seja apenas a “ponta do iceberg”; que mostre a enorme sujeira que está submersa; que as investigações sejam profundas e que daqui por diante, também licitações obscuras e apropriação de terras devolutas para benefício próprio – em que o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) foi uma “grande mãe” para muitos – sejam incluídas em operações da Justiça, para que seja devolvida a dignidade de cidadãos, a todos nós...




(Imagens: Secom/Mídia News/Internet)  

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