Passados dois anos da descoberta da doença (câncer) que hoje não distingue esse ou aquele, crianças, adolescentes e adultos chega silenciosamente e quando se percebe o estrago já está feito e o remédio é ingerir a notícia.
Na data de 31/10/2012 foi publicado texto de minha autoria nos diversos meios de comunicação de nossa cidade com o título “VIDA”, no qual foi relatado como fica um pessoa no momento da descoberta da doença.
Recordo-me que meu caso foi na véspera do aniversário de minha filha e a primeira coisa sentida por mim seria até quando estaria comemorando o aniversária dela, do meu filho e esposa, que são do mesmo dia?
Hoje, passados dois anos do citado episódio, estou novamente às vésperas do aniversário de minha filha, recordando o que passei da descoberta até a presente data. Tratamento este, que foi realizado totalmente aqui mesmo em nossa cidade (cirurgia, extração da parte do intestino, quimioterapias), principalmente a mudança que ocorre na vida, com abdicações de coisas que até então eram possíveis fazer.
Passa-se a viver um dia de cada vez, momentos após momentos, a enfrentar os momentos turbulentos como fosse uma coisa normal, pois, qual a dificuldade maior é lutar pela vida ou ultrapassar os percalços, apresentados no seu dia-a-dia.
Quero aqui, tardiamente, agradecer a todas as equipes que cuidaram de mim desde o momento que antecedeu a cirurgia, durante a cirurgia e após, como também os profissionais da NUTEC, por onde passei seis meses a cada quinze dias fazendo quimioterapia, no qual, hoje ainda frequento pelas revisões realizadas trimestralmente.
Não é um tratamento fácil. Necessita de muita perseverança para não deixar-se abater pelas fortes medicações, que somos submetidos. No período no qual estive fazendo a quimioterapia, pude observar que as reações de nossos corpos reagia diferente a cada pessoa, sendo o mesmo medicamento mais em decorrência a imunidade as reações eram diferentes.
Neste momento que falar para as pessoas que hoje ainda estão em tratamento, iniciando ou mesmo finalizando a sua trajetória: não baixe a cabeça, lute com todas as forças por que as nossas conquistas são árduas, mas transponíveis. Apegado a DEUS, neste momento, agradeço pela oportunidade de estar passando pelo tratamento, pois, muitos não obtiveram as mesmas chances que eu obtive. Lute! Lute independente que a vontade seja a de desistir! Momentos como esses, são relâmpagos durante o tratamento. Volto a frisar que a luta é árdua, mas podemos conquistar a glória de vencê-la. Caso a sua situação seja mais complicada não perca a esperança, pois nem tudo está perdido.
Quero falar para aqueles que têm vergonha de fazer uma colonoscopia, um exame de próstata: não se sinta envergonhado, pois um exame desse ou outro, de acordo com a solicitação médica, pode salvar sua vida. Descobrindo a doença em seu início, você pode obter a cura, sem muito sofrimento. Deve-se deixar a vergonha de lado. Isso somente é uma cultura obsoleta de não fazer porque é feito isso ou aquilo. Pense na vida que estará jogando fora, caso venha descobrir, tardiamente, que você encontra-se com alguma moléstia difícil de curar.
Independente de querer realizar checapes, em Rondonópolis ou em outras localidades, o importante é que o faça. Não espere a doença bater em sua porta; ela não avisa: “olha estou chegando”. Ela aflora, sempre em momentos que não se espera.
Para quem se encontra em tratamento, eu digo: lute e lute. E para os que ainda não realizaram exames preventivos, procurem visitar os locais onde são realizados esses tratamentos e veja que a vergonha perde muito para a cultura do preconceito.
Viva e seja feliz!
* Vilmar Souza de Oliveira, é contabilista, graduando em administração de empresa e servidor público municipal.

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