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| Éder depõe hoje em Cuiabá |
Ao justificar em junho a necessidade de manter a prisão preventiva do ex-secretário de Estado, Éder Moraes, o juiz federal Klaus Kruchel, convocado para apreciar o pedido de liminar em habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região e que veio a negá-la, afirma que a liberdade de Eder Moraes coloca em risco a sociedade mato-grossense, diante do seu desmedido poder de influência em órgãos públicos. Até o momento, já foram negados cinco pedidos de liberdade, todos protocolados na esfera da Justiça Federal.
“Muito embora atualmente o investigado Éder de Moraes Dias não esteja ocupando qualquer cargo público, há informações de que pretende lançar-se candidato a deputado estadual, a sua liberdade não deixa de ser perigosa para a sociedade, pois foram cometidos pelo menos 38 delitos cometidos nos últimos anos, sem contar que as investigações prosseguem, assim como a gravidade e complexidade dos mesmos, pois foram cometidos inúmeros crimes de gestão fraudulenta e operação de instituição financeira clandestina”, diz trecho da decisão judicial datada de 6 de junho ao qual FOLHAMAX teve acesso.
O magistrado ainda cita que Éder Moraes explorava seu conhecimento a respeito das finanças públicas enquanto secretário de Estado de Fazenda para organizar um esquema criminoso. “Ademais da gravidade, a complexidade do sistema criminoso montado pelo investigado com seus conhecimentos acerca do sistema financeiro também está presente, pois se vislumbra, em tese, não apenas um, mas vários crimes antecedentes ao crime de lavagem de dinheiro, os quais foram cometidos também via e contra o Sistema Financeiro Nacional”, acrescenta.
Nesta quinta-feira (7), Éder Moraes vai prestar depoimento ao juiz da 5ª Vara Federal de Mato Grosso, Jeferson Schneider, por conta de uma ação penal aberta em decorrência de uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que o acusa de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Também são réus na mesma ação penal Laura Tereza da Costa Dias, esposa de Eder Moraes, o superintendente regional do Bic Banco em Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol, e o ex-secretário adjunto do Tesouro de Mato Grosso, Vivaldo Lopes.
O depoimento de Éder é aguardado com expectativa. Ele foi considerado o homem forte das gestões de Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB).
Agente de interesse particular
Na decisão judicial que negou o pedido de liminar em habeas corpus, o magistrado ainda classifica Eder Moraes como um agente público que age em defesa de interesses particulares e com ações prejudiciais a sociedade. “Tradicionalmente, a periculosidade está associada aos crimes violentos ou chamados crimes de sangue cometido na imensa maioria das vezes pela paluteia ou choldra da sociedade (...). Contudo, o perigo mais deletério da sociedade moderna e brasileira está no agente que se diz ‘público’, mas que se apropria ‘do público’ em proveito particular, próprio ou outrem, em detrimento de serviços de primeira necessidade como a saúde e a educação, dando causa à toda sorte de mazela humana,desde sofrimento e morte em filas de hospitais públicos até o analfabetismo e suas conseqüências”, comenta.
O magistrado ressaltou que pelo alto índice de crimes cometidos manter a prisão preventiva de Éder Moraes é essencial para o bom andamento das investigações e fase de instrução dos processos penais oriundos da Operação Ararath da Polícia Federal. “Verifica-se que há necessidade de se resguardar a ordem pública mediante a segregação cautelar do investigado, diante de sua periculosidade a qual se revela pela gravidade e complexidade em concreto dos crimes, assim como pelo papel de destaque assumido pelo investigado”.
A influência exercida em órgãos públicos por Éder Moraes também foi considerada essencial para mantê-lo preso. “O investigado Éder de Moraes Dias ocupou diversos cargos públicos no mais alto escalão das administrações dos governadores Blairo Maggi e Silval Barbosa, razão pela qual transita com muita facilidade e desenvoltura junto a quase todas as autoridades do Estado de Mato Grosso, incluindo o Procurador Geral de Justiça, Paulo Prado”.
Éder Moraes está preso desde o dia 20 dia maio, quando foi deflagrada a quinta fase da Operação Ararath da Polícia Federal. De imediato, foi transferido para o Complexo da Papuda em Brasília, onde permaneceu por 64 dias.
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| Mais uma decisão judicial negando a liberdade a Éder |
Fonte: Folhamax
Imagem: G1
Opinião do blog:
Apesar de ser quase certeza de que Éder Moraes não irá "abrir o bico" em seu depoimento e entregar a camarilha de políticos corruptos que participavam do esquema gerenciado por ele, muitos que estão no "barco", certamente, vão passar o dia tomando calmantes. Tem muita "gente boa" nessa...


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